7 de junho de 2006

Porque também sou professor...

“Os pais sempre foram o pavor dos professores de natação,
dos técnicos de futebol jovem,
dos animadores das corridas de rua.“
Vítor Serpa in Abola, 3 Junho 2006


Foi com este apontamento que no passado sábado, dia 3 de Junho, o sempre atento sr. Vitor Serpa, Director do Diário Desportivo “A Bola”, na sua coluna de opinião intitulada “Jogo pelos Professores” dava o mote a mais um dos seus belíssimos textos.

Por vontade de fazer minhas as suas palavras, deixo aqui partes do texto para os colegas que, por variados motivos, não o possam ter lido, ou que o tenham lido de forma mais vertical possam faze-lo uma vez mais, de uma forma mais atenta. Não o fazendo por mal, espero que o autor não se sinta ofendido por este meu atrevimento.
Após uma análise real da situação e da forma de estar dos professores na actualidade, Victor Serpa faz uma analepse ao tempo em que era aluno, na qual retrata os seus professores, os seus colegas alunos e também os pais de então:

“Os pais sempre foram o pavor dos professores de natação, dos técnicos de futebol jovem, dos animadores das corridas de rua. Os pais, em casa, acham os filhos umas pestes; mas na escola, no campo desportivo, no patamar da casa do vizinho, acham os filhos virtuosos e sábios”

Mas segue acrescentado:

“ Os pais são, individualmente, insuportáveis e, colectivamente, uma maldição.
Claro que há pais ... e pais. E vocês sabem que não me refiro aos pais a sério, que são capazes de manter a distância e o bom senso. Falo dos outros, dos pais e das mães que acham sempre que os seus filhos deviam ser os capitães da equipa e deviam jogar sempre no lugar dos outros filhos. O trágico disto tudo é que são precisamente esses pais os que, na escola, se acham verdadeiramente capazes de fazer a avaliação, o julgamento sumário dos professores dos seus filhos, achando que eles só servem para fazer atrasar os seus Einsteinzinhos.”

Muito pertinente e real esta visão, não acham? Desculpem-me os pais que costumam vir cá (se é que algum vem na condição de pai), mas esta forma de estar é uma realidade em determinados clubes....infelizmente, e quando nós treinadores/monitores estamos numa situação destas, nem sempre é fácil seguirmos e realizarmos as nossas obrigações da melhor forma.
Agora imaginemos como seria se o nosso lugar à frente da equipa estiver dependente da opinião/avaliação que os pais dos nossos atletas fazem sobre a nossa prestação!
Serão eles – pais, detentores de capacidades/conhecimentos para tal exercício de avaliação? Com toda a certeza que não.

Depois, Vítor Serpa termina dizendo:

“Por isso eu aqui me declaro a favor dos professores. Quero jogar na equipa deles contra a equipa dos pais e ganhar o desafio da vida real e do futuro deste país contra o desafio virtual dos pedagogos de alcatifa”

Sem palavras.
Obrigado Vítor Serpa

4 comentários:

Anónimo disse...

100% de acordo com o sr. Vitor Serpa, sempre atento como diz e bem o caro Patinado. Realmente é o que nos faz falta é ter "paizinhos" (porque se fossem Pais a valer...) a avaliar o nosso trabalho quer enquanto professores, treinadores ou outra função/actividade que realizamos com os seus meninos. Nós somente queremos o melhor pra eles, o que nem sempre esta à vista de todos. Por favor deixem as pessoas fazerem o melhor que sabem... é sabem mesmo.
Antonio

lee disse...

ups! fiz o meu comentario sobre este artigo na postagem de baixo. lê por favor e depois podemos trocar umas ideias.

Francisco Mendes disse...

É isso mesmo "António", nós somente queremos o melhor para os nossos atletas/alunos. Disso pode ter a certeza que é a pura verdade, e se por vezes os "castigamos" é sempre para seu bem.
obrigado

Francisco Mendes disse...

Lilas antes de mais obrigado pelo teu comentário, sim eu reparei que te enganaste, mas não há problema. Tenho conhecimento do documento que falaste, tu mesma me deste um exemplar do mesmo, e o qual li com toda a atenção e retirei alguns beneficios. Fica a promessa de um dia destes escrever sobre a relação Treinador - Pais. Depois podemos trocar ideias e pontos de vista.
Até.